Brasil pode se tornar polo global de data centers, mas ainda há desafios pela frente

O Brasil está cada vez mais no radar dos investimentos em tecnologia. Um relatório recente do BTG Pactual aponta que o país reúne condições ideais para se tornar um dos grandes polos mundiais de data centers, infraestrutura essencial para o avanço da inteligência artificial (IA) e da economia digital.

🚀 O que coloca o Brasil em destaque

Segundo o estudo, o país possui alguns diferenciais estratégicos:

  • Energia abundante e barata, em grande parte proveniente de fontes renováveis;

  • Disponibilidade de água, essencial para o resfriamento dos sistemas;

  • Mercado consumidor em expansão, com empresas e usuários cada vez mais digitais.

Esses fatores tornam o território brasileiro extremamente atrativo para investidores internacionais que buscam novas regiões para instalar centros de processamento e armazenamento de dados.

⚡ O obstáculo da energia

Apesar do potencial, o setor ainda enfrenta entraves importantes. O levantamento mostra que, apenas no Nordeste, mais de 20% da energia gerada é desperdiçada por falta de linhas de transmissão adequadas ou excesso de oferta. Esse gargalo reduz a competitividade do país e limita a expansão dos projetos.

Além disso, o relatório alerta que políticas públicas precisam ser mais bem alinhadas. A MP 1.307, que prevê incentivos fiscais para data centers, exige que as empresas comprem energia de nova capacidade — mesmo quando já existe disponibilidade de energia a custos menores. Para o BTG, essa medida pode desestimular novos investimentos.

📊 Regulação e tributação: pontos-chave

Outro desafio é a regulação sobre o uso e a proteção de dados. Se o processo for burocrático ou oneroso, o Brasil perde espaço na corrida global pela inovação. O estudo recomenda ainda isenção tributária para importação de equipamentos de data centers, prática já adotada em outros países que lideram o setor.

🌟 Perspectiva

Mesmo com os obstáculos, o relatório reforça que empresas brasileiras como Eletrobras, Auren, Copel, Engie, Cemig, Equatorial, CPFL e Neoenergia podem se beneficiar diretamente desse movimento.

Se conseguir superar os gargalos de energia, avançar na regulação e oferecer incentivos competitivos, o Brasil pode consolidar sua posição como protagonista mundial no setor de data centers, alavancando o desenvolvimento da inteligência artificial e da economia digital no país.